1. A suspensão do exercício dos direitos, liberdades e garantias fundamentais só pode
ter lugar declarado o estado de sítio ou o estado de emergência nos termos previstos
na Constituição.
2. O estado de sítio ou o estado de emergência só podem ser declarados em caso de
agressão efectiva ou iminente por forças estrangeiras, de grave perturbação ou
ameaça de perturbação séria da ordem constitucional democrática ou de calamidade
pública.
3. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência é fundamentada, com
especificação dos direitos, liberdades e garantias cujo exercício fica suspenso.
4. A suspensão não pode prolongar-se por mais de trinta dias, sem impedimento de
eventual renovação fundamentada por iguais períodos de tempo, quando
absolutamente necessário.
5. A declaração do estado de sítio em caso algum pode afectar os direitos à vida,
integridade física, cidadania e não retroactividade da lei penal, o direito à defesa em
processo criminal, a liberdade de consciência e de religião, o direito a não ser sujeito
a tortura, escravatura ou servidão, o direito a não ser sujeito a tratamento ou punição
cruel, desumano ou degradante e a garantia de não discriminação.
6. As autoridades estão obrigadas a restabelecer a normalidade constitucional no mais
curto espaço de tempo.
Artigo 26.º
(Acesso aos tribunais)
1. A todos é assegurado o acesso aos tribunais para defesa dos seus direitos e interesses
legalmente protegidos.
2. A justiça não pode ser denegada por insuficiência de meios económicos.
1.
2.
3.
4.
5.
Artigo 27.º
(Provedor de Direitos Humanos e Justiça)
O Provedor de Direitos Humanos e Justiça é um órgão independente que tem por
função apreciar e procurar satisfazer as queixas dos cidadãos contra os poderes
públicos, podendo verificar a conformidade dos actos com a lei, bem como prevenir
e iniciar todo o processo para a reparação das injustiças.
Os cidadãos podem apresentar queixas por acções ou omissões dos poderes públicos
ao Provedor de Direitos Humanos e Justiça, que as apreciará, sem poder decisório,
dirigindo aos órgãos competentes as recomendações necessárias.
O Provedor de Direitos Humanos e Justiça é eleito pelo Parlamento Nacional, por
maioria absoluta dos Deputados, para um mandato de quatro anos.
A actividade do Provedor de Direitos Humanos e Justiça é independente dos meios
graciosos e contenciosos previstos na Constituição e nas leis.
Os órgãos e os agentes da administração têm o dever de colaboração com o
Provedor de Direitos Humanos e Justiça.
Artigo 28.º
(Direito de resistência e de legítima defesa)
1. Todos os cidadãos têm o direito de não acatar e de resistir às ordens ilegais ou que
ofendam os seus direitos, liberdades e garantias fundamentais.
2. A todos é garantido o direito de legítima defesa, nos termos da lei.
TÍTULO II
DIREITOS, LIBERDADES E GARANTIAS PESSOAIS
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